Ex-ministro brasileiro Antonio Palocci condenado a 12 anos de prisão

Antonio Palocci desempenhou um papel central no esquema da 'Lava Jato', a maior parte do qual se desenrolou quando o Partido dos Trabalhadores estava no poder de 2003 a 2016, quando Dilma foi ejetada em um processo de impeachment por infringir as regras de contabilidade do governo.

Antonio Palocci, Petrobras oil company, Car Wash scam, Dilma Rousseff, brazil corruption, brazil news, Michel Temer, Luiz Inacio Lula da Silva, Sergio MoroAntonio Palocci (REUTERS / foto de arquivo)

O tribunal brasileiro condenou Antonio Palocci, ministro influente durante os governos esquerdistas de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, a 12 anos de prisão por corrupção na segunda-feira.

Palocci, sob custódia desde setembro, foi condenado por aceitar propina e lavagem de dinheiro como parte de uma enorme rede de corrupção centrada na estatal Petrobras de petróleo e grandes construtoras. Ele foi condenado a 12 anos e dois meses de prisão pelo juiz Sergio Moro, que chefia a investigação do Lava Jato que trata do esquema de peculato gigante e propinas.

Palocci, de 56 anos - ministro da Fazenda de Lula e chefe do gabinete de Dilma Rousseff, ambos do Partido dos Trabalhadores - está negociando um acordo judicial com o Ministério Público. Isso pode se somar à avalanche de evidências que já está conduzindo inúmeras investigações sobre líderes políticos, incluindo Lula, que enfrenta cinco casos de corrupção no tribunal. Moro está atualmente considerando um veredicto em um desses casos, em que Lula teria recebido um apartamento à beira-mar como suborno de uma das maiores construtoras do Brasil, a OAS.

Palocci desempenhou um papel central no esquema de Lava Jato, a maior parte do qual se desenrolou quando o Partido dos Trabalhadores estava no poder de 2003 a 2016, quando Rousseff foi expulsa em um processo de impeachment por quebrar as regras de contabilidade do governo. Os promotores afirmam que Palocci foi o ponta-de-lança do fluxo de propina entre o grupo construtor Odebrecht e os intermediários do Partido dos Trabalhadores, lavando mais de US $ 10 milhões usados ​​para financiar a campanha do partido.

A Odebrecht, conglomerado industrial com projetos em todo o mundo, nomeou Palocci como o italiano em sua lista de codinomes para políticos que aceitam subornos regularmente em troca de contratos lucrativos com a Petrobras e outros favores. Lula negou repetidamente aceitar qualquer suborno durante ou após sua presidência. Ele descreve a investigação de Moro como uma campanha para impedir seu retorno ao poder.

O impeachment de Rousseff no ano passado e a substituição por seu vice-presidente de centro-direita Michel Temer foi rotulado pela esquerda como um golpe de Estado. Lula agora espera fazer um retorno dramático nas eleições marcadas para outubro de 2018. No entanto, os múltiplos casos de corrupção podem impedi-lo de prosseguir, já que um veredicto de culpado mantido o impediria de concorrer ao cargo - ou potencialmente o veria preso.

Uma nova pesquisa de opinião do Datafolha divulgada segunda-feira mostrou que Lula venceria o primeiro turno das eleições presidenciais. No entanto, em um hipotético segundo turno, ele empataria com a ambientalista Marina Silva e com o próprio Moro. Moro não declarou interesse em concorrer a um cargo, mas é muito popular por seu trabalho anticorrupção.

Além de seus problemas jurídicos, Lula enfrenta a desvantagem de ter o maior índice de rejeição de qualquer candidato, com 46% dos brasileiros dizendo que nunca votariam nele. Enquanto isso, Temer enfrenta sua própria crise com o promotor-geral que deve solicitar acusações formais de corrupção contra o presidente na segunda ou terça-feira.